Fotografia: Filipe Feio & Matilde Cunha
04 / 11 / 2026
Formada em Joalharia, Jéssica Dias criou a Jé Wellery ainda durante a licenciatura, num exercício de aproximação entre a natureza, a matéria e o corpo. A partir de texturas orgânicas e formas que recusam a regularidade, o seu trabalho transforma a matéria através do gesto manual, deixando que o acaso e a imperfeição participem também da sua linguagem.
Entre o que a natureza oferece e aquilo que o trabalho artesanal é capaz de revelar, Jé Wellery constrói uma narrativa de carácter íntimo, onde cada peça encontra na pele de quem a usa não apenas o seu lugar, mas uma forma de existência.
Maria Machado: A Jé Wellery surge da vontade de aliar formas e texturas orgânicas aos metais preciosos. O que procura nas formas naturais e como transforma essa inspiração na natureza numa linguagem que tão pessoal?
Jéssica Dias: Desde pequena que tenho uma relação muito próxima com a natureza. Passava os verões a acampar com a minha família, fui escuteira e sempre gostei de observar o que estava à minha volta. É uma ligação que continua presente na minha vida e que, de forma quase intuitiva, acabou por se reflectir também no meu trabalho. Quando procuro inspiração para uma nova colecção, são muitas vezes as texturas que me despertam a atenção – numa rocha, na areia, na água ou numa superfície que me suscite curiosidade. Gosto de as explorar e reinterpretar através do metal, sem procurar reproduzir directamente a natureza, mas captando aquilo que me atrai nela.
Interessa-me muito esse contraste entre o orgânico e o corpo: pegar em formas irregulares, texturas e pequenos detalhes e trazê-los para uma escala próxima da pele. É nesse processo de transformação que sinto que vou construindo uma linguagem verdadeiramente minha.
Todas as suas peças são trabalhadas à mão. Que lugar ocupam o gesto, a imperfeição e o acaso em todo o seu processo criativo?
O meu processo criativo passa muito pela imprevisibilidade. Não costumo trabalhar a partir de um desenho fechado, porque muitas vezes as formas surgem no próprio momento em que estou a materializar o objecto. Parto de uma ideia, mas vou descobrindo a peça enquanto a trabalho.
Por serem formas tão orgânicas, gosto que o processo permaneça aberto e que a matéria tenha espaço para me surpreender. Às vezes começo com uma ideia muito concreta e a peça acaba por seguir um caminho completamente diferente; outras vezes, encontro aquilo que tinha imaginado, mas continuo a explorar até descobrir uma nova nuance.
Por isso, o gesto e o acaso têm um papel muito importante no meu trabalho. A imperfeição também faz parte desse processo, não como algo que procuro corrigir, mas como uma consequência natural de trabalhar manualmente e de deixar que cada peça encontre a sua própria forma.
Maria Machado: A Jé Wellery surge da vontade de aliar formas e texturas orgânicas aos metais preciosos. O que procura nas formas naturais e como transforma essa inspiração na natureza numa linguagem que tão pessoal?
Jéssica Dias: Desde pequena que tenho uma relação muito próxima com a natureza. Passava os verões a acampar com a minha família, fui escuteira e sempre gostei de observar o que estava à minha volta. É uma ligação que continua presente na minha vida e que, de forma quase intuitiva, acabou por se reflectir também no meu trabalho. Quando procuro inspiração para uma nova colecção, são muitas vezes as texturas que me despertam a atenção – numa rocha, na areia, na água ou numa superfície que me suscite curiosidade. Gosto de as explorar e reinterpretar através do metal, sem procurar reproduzir directamente a natureza, mas captando aquilo que me atrai nela.
Interessa-me muito esse contraste entre o orgânico e o corpo: pegar em formas irregulares, texturas e pequenos detalhes e trazê-los para uma escala próxima da pele. É nesse processo de transformação que sinto que vou construindo uma linguagem verdadeiramente minha.
Todas as suas peças são trabalhadas à mão. Que lugar ocupam o gesto, a imperfeição e o acaso em todo o seu processo criativo?
O meu processo criativo passa muito pela imprevisibilidade. Não costumo trabalhar a partir de um desenho fechado, porque muitas vezes as formas surgem no próprio momento em que estou a materializar o objecto. Parto de uma ideia, mas vou descobrindo a peça enquanto a trabalho.
Por serem formas tão orgânicas, gosto que o processo permaneça aberto e que a matéria tenha espaço para me surpreender. Às vezes começo com uma ideia muito concreta e a peça acaba por seguir um caminho completamente diferente; outras vezes, encontro aquilo que tinha imaginado, mas continuo a explorar até descobrir uma nova nuance.
Por isso, o gesto e o acaso têm um papel muito importante no meu trabalho. A imperfeição também faz parte desse processo, não como algo que procuro corrigir, mas como uma consequência natural de trabalhar manualmente e de deixar que cada peça encontre a sua própria forma.
Criou a sua própria marca ainda durante a licenciatura. Em que momento percebeu que não estava apenas a criar jóias, mas a construir uma identidade autoral – e o que significa, para si, ter o seu nome associado a cada peça?
Durante a licenciatura tive uma proposta de trabalho em que precisava de criar uma colecção com, no mínimo, 20 peças. Foi nesse exercício que comecei a perceber o quanto as texturas da natureza surgiam de forma intuitiva no meu trabalho. A partir de uma textura, fui explorando diferentes formas e formatos – brincos, colares, pulseiras e anéis – e acabei por criar uma colecção maior do que a que me era pedida. Foi um desafio, tanto a nível criativo como de produção, mas no final senti que tinha superado as minhas próprias expectativas. Foi essa colecção, ainda feita durante a faculdade, que acabou por dar origem à minha marca.
Ter o meu nome associado às peças tem, por isso, um significado muito especial. É assumir a responsabilidade por todo o processo, desde a primeira ideia até à peça final, mas também reconhecer que cada uma carrega um pouco daquilo que sou e da forma como vejo o mundo. É muito especial pensar que tudo começou com um trabalho da faculdade e que, oito anos depois, algumas dessas primeiras peças ainda fazem parte da história da marca.
Durante a licenciatura tive uma proposta de trabalho em que precisava de criar uma colecção com, no mínimo, 20 peças. Foi nesse exercício que comecei a perceber o quanto as texturas da natureza surgiam de forma intuitiva no meu trabalho. A partir de uma textura, fui explorando diferentes formas e formatos – brincos, colares, pulseiras e anéis – e acabei por criar uma colecção maior do que a que me era pedida. Foi um desafio, tanto a nível criativo como de produção, mas no final senti que tinha superado as minhas próprias expectativas. Foi essa colecção, ainda feita durante a faculdade, que acabou por dar origem à minha marca.
Ter o meu nome associado às peças tem, por isso, um significado muito especial. É assumir a responsabilidade por todo o processo, desde a primeira ideia até à peça final, mas também reconhecer que cada uma carrega um pouco daquilo que sou e da forma como vejo o mundo. É muito especial pensar que tudo começou com um trabalho da faculdade e que, oito anos depois, algumas dessas primeiras peças ainda fazem parte da história da marca.
Para mais informações, visite o website Jé Wellery.


