Attitude 129: Fusion

  • Há edições que se constroem como um território de encontro – e esta é, inevitavelmente, uma delas. Fusion nasce dessa ideia de cruzamento: entre linguagens, tempos e sensibi-lidades, mas também entre olhares, experiências e percursos que se transformam ao longo do caminho. Difusão, expansão… Vejo movimento. Vejo mudança e transformação, e não poderia fazer mais sentido.
  • Esta edição tem, para mim, um sabor agridoce, em jeito de despedida. Marca o fim de um ciclo profundamente marcante e pessoal, feito de descobertas constantes e de encontros que deixaram uma impressão duradoura. Ao longo dos últimos anos, tive o privilégio de conhecer criativos de diferentes lugares, cada um com a sua forma singular de interpretar o mundo – e de o transformar. Foi também um mergulho no universo da arquitectura e dos interiores que se revelou mais do que um exercício editorial; tornou-se uma forma de estar. Aprendi a observar com mais atenção, a escutar com maior profundidade, a reconhecer o valor dos detalhes – aqueles que, silenciosamente, constroem a identidade de um espaço e de quem o habita. Através da Attitude, tive a oportunidade de entrar em muitos desses universos íntimos – porque cada espaço e cada casa são um mundo de experiências e de privacidade. E cada mundo traz consigo uma fusão única de memórias, referências, escolhas e emoções.

  • Com isto, quero também abrir o apetite para as próximas páginas, para os nossos leitores assíduos, os mais recentes ou os esporádicos que compram as edições para embelezar as mesas e recantos de Verão. Das iniciativas que tivemos oportunidade de testemunhar desde a última edição, destaco o momento Conversations with Nature, proporcionado pela Maison Ruinart, que aconteceu no passado Fevereiro no Palais de Tokyo, em Paris, em parceria com o artista japonês Tadashi Kawamata, que nos fez viajar pela região de Champagne através de três instalações que evidenciam a ligação entre arte, o saber-fazer do champanhe e o terroir local. Também o Madrid Design Festival revelou e surpreendeu com aquilo que o país vizinho tem para nos oferecer na cena artística actual, e no verdadeiro papel do design numa sociedade. De Portugal para o mundo, a Constança Entrudo traz-nos a sua visão de liberdade, expressa através de fios e tecidos, com os olhos postos no futuro; Pedro Cabrita Reis, artista plástico contemporâneo que dispensa apresentações, conduz-nos até à Bienal de Veneza através da sua obra. São várias as pessoas e projectos que trazemos, de várias geografias, com linguagens distintas que se fundem em ideologias assentes na expressão artística que faz do mundo um lugar melhor.
  • Obrigada à Attitude, por me acolher e dar voz ao meu pequeno mundo, através das palavras. Obrigada à restante equipa, pela confiança e empenho. Levo comigo a “atitude” embrulhada nessa ideia de fusão – não apenas como mote, mas como aprendizagem. E a certeza de que é no cruzamento entre pessoas, espaços e histórias onde tudo verdadeiramente acontece.

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