Fotografia: Dominique Ricci and Luís Nobre Guedes
23 / 03 / 2026
Contrariando vazios dos tempos de hoje, Zé Maria Teixeira Duarte e Bernardo Lopes trazem de volta a marcenaria de alta precisão, contida, obstinada no detalhe.
Das suas mãos surgem objectos heirloom, pensados para nos acompanhar na travessia do tempo. Tendo já conquistado o mercado da hotelaria de luxo nacional e internacional, a JUNTO Wood Design acaba de abrir o seu primeiro showroom, em Lisboa, e de anunciar a chegada da loja online.
Alexandra Novo: Como se deu a alquimia do vosso encontro? O que vos juntou na vontade de deixar uma marca para o presente e o futuro?
Junto Wood Design: O encontro aconteceu de forma muito orgânica. Vínhamos de percursos distintos – um ligado ao design, outro à advocacia –, mas rapidamente percebemos que partilhávamos a mesma inquietação: a vontade de criar objectos com significado, feitos para durar e para serem usados no quotidiano. Existia uma sensação comum de que faltava propósito em muito do que se produzia. A JUNTO nasce desse alinhamento de visão, do desejo de trabalhar com tempo, rigor e intenção, criando peças que façam sentido hoje e continuem a fazê-lo no futuro.
AN: Como é que esta nova forma de viver, associada ao trabalho manual e a um tempo mais lento e consciente, mudou as vossas vidas?
JWD: Mudou profundamente a forma como olhamos para o trabalho e, inevitavelmente, para a vida. Passámos a trabalhar com mais atenção e presença, a valorizar o processo tanto quanto o resultado. Percebemos que acelerar não faz sentido quando se trabalha com matéria viva e com objectos pensados para durar décadas. Esse ritmo mais lento trouxe-nos maior exigência, mas também mais clareza, consistência e satisfação. Hoje, cada decisão tem peso e cada detalhe importa.
AN: O que questionam, pensam e sentem em frente a um bloco de madeira maciça num dia de múltiplas possibilidades criativas? Quais as prioridades? Que madeiras preferem ter entre mãos?
JWD: O primeiro gesto é sempre escutar o material. Questionamos proporções, função, resistência, estética e longevidade. A prioridade está no equilíbrio: a peça tem de funcionar, envelhecer bem e transmitir algo. Preferimos madeiras com carácter e densidade histórica, como o carvalho, a nogueira ou a kambala – materiais que aceitam o tempo como parte do seu percurso. Cada madeira impõe limites e possibilidades próprias, e é nesse diálogo que surge a inspiração.
Alexandra Novo: Como se deu a alquimia do vosso encontro? O que vos juntou na vontade de deixar uma marca para o presente e o futuro?
Junto Wood Design: O encontro aconteceu de forma muito orgânica. Vínhamos de percursos distintos – um ligado ao design, outro à advocacia –, mas rapidamente percebemos que partilhávamos a mesma inquietação: a vontade de criar objectos com significado, feitos para durar e para serem usados no quotidiano. Existia uma sensação comum de que faltava propósito em muito do que se produzia. A JUNTO nasce desse alinhamento de visão, do desejo de trabalhar com tempo, rigor e intenção, criando peças que façam sentido hoje e continuem a fazê-lo no futuro.
AN: Como é que esta nova forma de viver, associada ao trabalho manual e a um tempo mais lento e consciente, mudou as vossas vidas?
JWD: Mudou profundamente a forma como olhamos para o trabalho e, inevitavelmente, para a vida. Passámos a trabalhar com mais atenção e presença, a valorizar o processo tanto quanto o resultado. Percebemos que acelerar não faz sentido quando se trabalha com matéria viva e com objectos pensados para durar décadas. Esse ritmo mais lento trouxe-nos maior exigência, mas também mais clareza, consistência e satisfação. Hoje, cada decisão tem peso e cada detalhe importa.
AN: O que questionam, pensam e sentem em frente a um bloco de madeira maciça num dia de múltiplas possibilidades criativas? Quais as prioridades? Que madeiras preferem ter entre mãos?
JWD: O primeiro gesto é sempre escutar o material. Questionamos proporções, função, resistência, estética e longevidade. A prioridade está no equilíbrio: a peça tem de funcionar, envelhecer bem e transmitir algo. Preferimos madeiras com carácter e densidade histórica, como o carvalho, a nogueira ou a kambala – materiais que aceitam o tempo como parte do seu percurso. Cada madeira impõe limites e possibilidades próprias, e é nesse diálogo que surge a inspiração.
AN: De que cuidados é feito o vosso processo, da idealização à peça final? Que técnicas utilizam e porquê? Existe no vosso trabalho uma identidade de raiz portuguesa?
JWD: O processo começa no desenho, mas rapidamente se estende à observação da madeira, à experimentação de encaixes e à escolha criteriosa dos acabamentos. Trabalhamos com técnicas tradicionais de marcenaria, não por nostalgia, mas pela sua eficácia, durabilidade e inteligência construtiva. Aplicamo-las com um olhar contemporâneo, depurado e funcional. A identidade portuguesa manifesta-se de forma subtil: no respeito pela matéria, na contenção formal, na atenção ao detalhe e numa certa simplicidade funcional que atravessa gerações. Não é uma linguagem literal, mas existe uma herança silenciosa nos métodos, no gesto e na forma como o objecto é pensado para durar.
JWD: O processo começa no desenho, mas rapidamente se estende à observação da madeira, à experimentação de encaixes e à escolha criteriosa dos acabamentos. Trabalhamos com técnicas tradicionais de marcenaria, não por nostalgia, mas pela sua eficácia, durabilidade e inteligência construtiva. Aplicamo-las com um olhar contemporâneo, depurado e funcional. A identidade portuguesa manifesta-se de forma subtil: no respeito pela matéria, na contenção formal, na atenção ao detalhe e numa certa simplicidade funcional que atravessa gerações. Não é uma linguagem literal, mas existe uma herança silenciosa nos métodos, no gesto e na forma como o objecto é pensado para durar.


