Ao longo destas páginas, fomos além da mobilidade física, para abordar um estado de deslocação ontológica. O nomadismo não é apenas ir, é nunca chegar completamente. É viver nesse intervalo subtil entre pertença e ausência. Que forma pode ter um destino quando o sujeito que o experiencia está em constante transformação? Que valor assumem os objectos quando passam a registar passagem? E como se desenha um espaço que não procura conter, mas acompanhar? Há, na impermanência, uma dimensão quase mística. Não como ausência, mas como escolha não informada. Leveza não como vazio, mas como parte disponível. Redução não como perda, mas como libertação. Pessoa nunca habitou verdadeiramente um só lugar, mesmo quando imóvel. Talvez porque o verdadeiro nomadismo se meça em estados de espírito. É nesse território indizível, entre pensamento e matéria, entre interior e exterior, que esta edição começa. Não como resposta absoluta, mas como tentativa de aproximação.