Fotografia: Federico Cairoli
07 / 01 / 2026
Mais do que uma simples reabilitação, a Quinta do Álamo nasce de um exercício de escultura arquitectónica, uma reflexão sobre o tempo, a memória e a forma como um espaço pode acolher novas vidas sem perder a sua essência.
Esta é a história de uma antiga adega transformada num refúgio contemporâneo por Matteo Arnone, contada nas palavras de Lúcia Rumor e fotografia de Federico Cairoli. Um lugar onde o tempo pára e convida à contemplação.
Entre as vinhas de Alenquer, a quarenta minutos de Lisboa, ergue-se a Quinta do Álamo, um projecto assinado pelo designer e arquitecto Matteo Arnone, que converteu uma antiga adega em habitação contemporânea, reafirmando a filosofia do seu estúdio, o Atelier MA: uma prática que une a racionalidade construtiva à sensibilidade poética, explorando a tensão entre permanência e transformação.
O projecto nasce de um reencontro inesperado. “Durante a pandemia, um dos proprietários – um velho amigo da minha terra natal – contactou-me. Procurava um espaço onde o tempo tivesse outro ritmo, em harmonia com a natureza”, recorda Arnone. O casal de proprietários, ambos DJ, tinham acabado de se mudar para Portugal em busca de uma vida mais tranquila. O desejo era simples: dois espaços funcionais – uma zona de estar e um quarto – e, acima, dois estúdios de gravação idênticos. A clareza do programa conduziu o arquitecto a uma composição rigorosamente simétrica, um diálogo contínuo entre equilíbrio e movimento.
A planta da casa, de cerca de 500 m², organiza-se em dois volumes espelhados, ligados por um eixo central que estrutura a circulação. No piso térreo encontram se a sala, a cozinha e o quarto principal, cada um aberto para um pátio semicircular que se prolonga para o exterior e funciona como mediador: são espaços de transição que deixam entrar o ar e a luz, mas resguardam a intimidade. No interior, as geometrias curvas eliminam ângulos, criando uma sensação de fluidez e contemplação. “A ausência de cantos gera calma, quase uma percepção de infinito.
Entre as vinhas de Alenquer, a quarenta minutos de Lisboa, ergue-se a Quinta do Álamo, um projecto assinado pelo designer e arquitecto Matteo Arnone, que converteu uma antiga adega em habitação contemporânea, reafirmando a filosofia do seu estúdio, o Atelier MA: uma prática que une a racionalidade construtiva à sensibilidade poética, explorando a tensão entre permanência e transformação.
O projecto nasce de um reencontro inesperado. “Durante a pandemia, um dos proprietários – um velho amigo da minha terra natal – contactou-me. Procurava um espaço onde o tempo tivesse outro ritmo, em harmonia com a natureza”, recorda Arnone. O casal de proprietários, ambos DJ, tinham acabado de se mudar para Portugal em busca de uma vida mais tranquila. O desejo era simples: dois espaços funcionais – uma zona de estar e um quarto – e, acima, dois estúdios de gravação idênticos. A clareza do programa conduziu o arquitecto a uma composição rigorosamente simétrica, um diálogo contínuo entre equilíbrio e movimento.
A planta da casa, de cerca de 500 m², organiza-se em dois volumes espelhados, ligados por um eixo central que estrutura a circulação. No piso térreo encontram se a sala, a cozinha e o quarto principal, cada um aberto para um pátio semicircular que se prolonga para o exterior e funciona como mediador: são espaços de transição que deixam entrar o ar e a luz, mas resguardam a intimidade. No interior, as geometrias curvas eliminam ângulos, criando uma sensação de fluidez e contemplação. “A ausência de cantos gera calma, quase uma percepção de infinito.
O olhar percorre o espaço sem interrupção”, explica o designer. Entre os dois volumes, um terceiro pátio, mais íntimo, actua como filtro entre as áreas sociais e as privadas, permitindo a entrada de luz natural e ventilação para os estúdios circulares do piso superior. Estas salas, destinadas à criação musical, representam o coração simbólico da casa – o ponto onde arquitectura e som se fundem num mesmo gesto criativo.


