journal

Fotografia:Pablo Enriquez  
12 / 10 / 2026
Produção: Karine Monié
Será que o futuro dos espaços de trabalho passa pela aproximação daquilo que a casa sempre soube oferecer: conforto, intimidade e pertença?
 
Os tempos contemporâneos trouxeram novas formas de pensar o trabalho. Durante a pandemia, quando o escritório se transferiu, por força das circunstâncias, para dentro de casa, talvez tenhamos aprendido a reconhecer qualidades que até então raramente integravam as nossas prioridades: a luz natural que acompanha as horas, os objectos que guardam memórias e nos reconhecem, as texturas e os materiais que despertam os sentidos e a liberdade de viver o lugar ao nosso próprio ritmo.

Percebemos, então, que um interior nunca é verdadeiramente neutro. A forma como se organiza, a atmosfera que cria e as sensações que desperta influenciam a maneira como nos relacionamos, interpretamos o mundo, pensamos e criamos. A arquitectura e o design desempenham, por isso, um papel fundamental na construção da nossa experiência quotidiana. Afinal, habitar é mais do que ocupar uma área física: é estabelecer com ela uma relação.

Regressar ao escritório passou, assim, a exigir uma nova reflexão: como conciliar as exigências da produtividade com a informalidade do ambiente doméstico?

Em Portland, o estúdio da Pat Austin parece ensaiar uma resposta. Instalado no histórico Cully Building, construído em 1884, o projecto parte da memória industrial do edifício para construir um ambiente simultaneamente sofisticado e descontraído. O tijolo à vista, as grandes janelas e a presença de um carvalho dialogam com peças vintage, mobiliário desenhado à medida e materiais naturais. A organização distribui-se por uma área de trabalho aberta, com secretárias e mesa de reuniões, uma zona de estar, uma biblioteca de materiais e uma cozinha, criando diferentes possibilidades de concentração, colaboração e convívio.
  • Pat Austin Studio
  • Pat Austin Studio
  • Pat Austin Studio
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A intenção de criar um ambiente mais residencial do que comercial manifesta-se também nos detalhes. Quando questionadas sobre a forma como conseguiram tornar o escritório acolhedor, Candace Cohu e Ally Hasche, da equipa da Pat Austin, responderam-nos, com simplicidade: “Comprámos pantufas para toda a equipa”. A resposta resume uma abordagem que vai além da decoração: este lugar dispõe de café, chá e snacks, mantém música ambiente e adapta-se às diferentes necessidades de quem o utiliza.

Esta identidade reflecte-se também na composição visual do estúdio, onde diferentes épocas, referências e linguagens convivem sem obedecer a um registo uniforme. O projecto “surgiu naturalmente como um reflexo de nós e do nosso apreço pelo eclectismo. É um espaço fluido, capaz de evoluir, sem deixar de ser artístico e acolhedor», explicam Candace Cohu e Ally Hasche. A diversidade de peças e referências ganha, assim, sentido numa composição que não procura a uniformidade, mas antes a expressão de uma identidade própria.
  • Pat Austin Studio
  • Pat Austin Studio
  • Pat Austin Studio
  • Pat Austin Studio
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Inaugurado em 2022, o escritório tem vindo a transformar-se num processo de aperfeiçoamento contínuo, acompanhando quem ali permanece. Entre a herança do edifício e as marcas de quem hoje o habita, este interior constrói-se como algo vivido e apropriado.

Talvez seja essa a lição mais interessante do estúdio Pat Austin: os lugares que melhor respondem ao futuro não são necessariamente os que antecipam tendências, mas os que sabem envelhecer, acumular significado e permanecer permeáveis à passagem do tempo.
 
  • Pat Austin Studio
Para mais informações, visite o website Pat Austin. 
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