Fotografia: Alexander Bogorodskiy
09 / 01 / 2026
Em pleno coração do Porto, a Casa FM recria o espírito industrial num loft contemporâneo de carácter único.
Em Agramonte, onde a memória industrial ainda ecoa, a Casa FM emerge como gesto de ousadia. A cliente procurava transformar um antigo barracão devoluto numa habitação familiar de estilo loft – um desejo pouco comum na tradição construtiva portuguesa, mas que o arquitecto António Bessa Cruz abraçou como ponto de partida para um projecto onde a autenticidade é alcançada através da ilusão.
Face à impossibilidade de converter o armazém existente, a solução passou por uma abordagem arrojada: demolir para reconstruir, mas mantendo viva a linguagem do edifício original. Assim, a nova estrutura ressuscita o perfil industrial do edifício através de vigas, pilares e condutas à vista, bem como caixilharias em ferro e pisos de betão, num jogo subtil entre aquilo que existiu e aquilo que apenas se sugere. Deste modo, a arquitectura aproxima-se de uma cenografia desenhada para que a família habite um cenário que parece ter sempre ali existido.
Com 400 m², a casa deslumbra-nos pela exuberância dos pés-direitos, onde a luz natural chega através de pátios interiores e até a escadaria parece acompanhar as reentrâncias luminosas. Estes apontamentos, estrategicamente posicionados, garantem ventilação e privacidade num edifício com escassas aberturas pelo lado de fora, esbatendo, em simultâneo, os limites entre interior e exterior. A atmosfera mantém-se crua, genuína, quase fabril, mas sempre equilibrada pelo conforto contemporâneo, como é o caso do pavimento radiante, que assegura a estabilidade térmica num espaço onde a escala industrial poderia sugerir o inverso.
Face à impossibilidade de converter o armazém existente, a solução passou por uma abordagem arrojada: demolir para reconstruir, mas mantendo viva a linguagem do edifício original. Assim, a nova estrutura ressuscita o perfil industrial do edifício através de vigas, pilares e condutas à vista, bem como caixilharias em ferro e pisos de betão, num jogo subtil entre aquilo que existiu e aquilo que apenas se sugere. Deste modo, a arquitectura aproxima-se de uma cenografia desenhada para que a família habite um cenário que parece ter sempre ali existido.
Com 400 m², a casa deslumbra-nos pela exuberância dos pés-direitos, onde a luz natural chega através de pátios interiores e até a escadaria parece acompanhar as reentrâncias luminosas. Estes apontamentos, estrategicamente posicionados, garantem ventilação e privacidade num edifício com escassas aberturas pelo lado de fora, esbatendo, em simultâneo, os limites entre interior e exterior. A atmosfera mantém-se crua, genuína, quase fabril, mas sempre equilibrada pelo conforto contemporâneo, como é o caso do pavimento radiante, que assegura a estabilidade térmica num espaço onde a escala industrial poderia sugerir o inverso.
As áreas sociais, em forma de L, caracterizam-se pelo acesso directo à sala de estar e cozinha, num conceito de open space.


