• Uma Residência Criativa

journal

Fotografia: Bacon Studio 
18 / 02 / 2026
Num edifício histórico da Gran Vía, em Valência, a casa de Emma Sepúlveda renasceu como um manifesto silencioso sobre luz, liberdade e identidade.  
O projeto, assinado pelo atelier HOMU ARQUITECTOS, transformou um apartamento de 237 m² num território híbrido: casa e estúdio, refúgio e palco criativo. Depois de mais de cinquenta anos a viver nos Estados Unidos, a escritora, ensaísta e fotógrafa chilena regressa à Europa com um desejo claro: abraçar o ritmo mediterrânico sem abdicar da amplitude e fluidez espacial que marcaram a sua experiência americana. O briefing refletia essa dualidade: recuperar a altura original dos tetos, reinterpretar as molduras históricas, privilegiar áreas abertas e luminosas, manter a ligação visual à avenida arborizada e criar um espaço profundamente pessoal.

Amplitude com intenção
Apesar da generosa área, o programa é contido: uma suíte principal com closet, um pequeno quarto para as netas e uma vasta zona social pensada para cozinhar, receber e criar. A entrada conduz a um corredor abobadado que enquadra a cozinha luminosa, organizada em torno de uma grande ilha central que reforça a ideia de partilha. Aqui, a tradição americana da cozinha enquanto coração da casa cruza-se com o espírito mediterrânico de partilha sem pressa.
A área de estar desenvolve-se através de divisórias de meia-altura que preservam a continuidade visual e a circulação de luz natural, criando diferentes atmosferas dentro de um mesmo espaço. No centro, a mesa de jantar estrutura a vivência; ao lado, um recanto mais íntimo oferece pausa e privacidade. O espaço de trabalho integra-se organicamente na zona social, culminando no escritório privado de Emma, marcado por portas recuperadas e restauradas pelo atelier.

A linguagem estética assume-se depurada, mas nunca fria. A paleta de claros e neutros funciona como uma página em branco onde a arte, os objetos pessoais e as memórias acumuladas ao longo de décadas ganham protagonismo A necessidade de instalar um novo sistema de climatização levou à reconstrução do teto falso, o que acabou por ser uma oportunidade para aumentar a altura dos espaços e introduzir molduras de escala contemporânea, integradas na carpintaria desenhada à medida.
O pavimento contínuo em porcelânico cinza-freixo reforça a sensação de unidade, enquanto portas e lavatórios em pedra recuperados de demolições acrescentam textura e história. A iluminação, discreta, foi pensada para apoiar, e nunca competir, com a luz natural, verdadeiro elemento estruturante do projeto.
Mais do que uma renovação, esta casa traduz uma transição de vida. É um espaço onde arquitetura e memória se entrelaçam, onde a sensibilidade mediterrânica acolhe a liberdade americana e onde o design se coloca, com precisão e sensibilidade, ao serviço da criação e do quotidiano. 
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Para mais informações visite o website HOMU ARQUITECTOS
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