• Jorge Teixeira Dias

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26 / 01 / 2026
Entre a observação atenta, o desenho como ferramenta de pensamento e uma formação marcada pelo confronto de ideias, o percurso de Jorge Teixeira Dias revela-se como uma construção feita de tempo, lugar e experiência.  
Nascido em Coimbra em 1973, é a partir dessa familiaridade com a cidade, da es-cola e da prática vivida no atelier que se delineia uma arquitectura consciente, rigorosa e profundamente ligada à forma como as pessoas habitam o espaço.

Lúcia Rumor: Para contextualizar as raízes da sua prática, pode contar-nos um pouco das suas origens e como influenciaram o seu interesse pela arquitectura?
Jorge Teixeira Dias: Nasci em Coimbra, numa família onde se falava muito de ciência e pouco de arquitectura. O “desvio” para o espaço construído veio por outras vias: al-gumas revistas de arquitectura em casa do meu avô e, sobretudo, o desenho. Dese-nhar obriga a olhar duas vezes – para ver e para compreender. Viver numa cidade como Coimbra, onde a arquitectura está sempre presente sem a pressão de uma grande metrópole, acabou por moldar uma forma de estar: observar, simplificar, voltar a olhar. A escolha da arquitectura foi uma acumulação de evidências. Mais do que sa-ber desenhar, interessa-me pensar o espaço e o tempo das pessoas dentro dele.

L.R. O que o levou a escolher Arquitectura na Universidade de Coimbra?
J.T.D. A escolha foi racional e afectiva. Racional porque a escola tinha sido reestrutu-rada por Fernando Távora e reunia professores do Porto e de Lisboa, com culturas de projecto distintas, criando um confronto saudável de ideias. Fui aluno do Hestnes Fer-reira, do Alexandre Alves Costa, do Gonçalo Byrne e outros, o que deixou marcas pro-fundas na forma como olho a disciplina. Foi também uma escolha afectiva: cresci a percorrer a Universidade de Coimbra acompanhando os meus pais. Havia uma familia-ridade física com aqueles espaços, como um regresso a um lugar que já sentia como meu.

L.R. Iniciou a sua carreira com João Mendes Ribeiro, como Coordenador de Ate-lier e Projecto. Como foi a experiência e de que forma moldou a sua prática?
J.T.D. Foi uma segunda escola, mas em “tempo real”. Pela posição que ocupei no ate-lier, atravessei todas as camadas do trabalho: do desenho à contabilidade, às reuni-ões com clientes ou acompanhamento de obra. Essa transversalidade deu-me uma visão muito concreta do que é um atelier de arquitectura: o lado visível – o desenho, as maquetas, as imagens – e o lado menos romântico – a infra-estrutura administrativa, técnica e relacional que sustenta tudo –, mas essencial. Percebi que a arquitectura não existe sem esse “lado B”. 
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TJJ APARTMENT, PH. © JOSÉ CAMPOS 
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SLP RESIDENCE I, PH. © THE LEITMOTIV 
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JAG RESIDENCE, PH. © DO MAL O MENOS 
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L.R. O que o levou a fundar o seu próprio atelier em 2010?
J.T.D. Muito antes de existir formalmente um escritório, eu já precisava de um lugar a que chamava atelier. Foram surgindo pequenas encomendas resolvidas fora de horas, até que, em 2010, apareceu um projecto que, pela escala e grau de exigência, exigia uma escolha. Abrir o atelier foi o resultado natural de um processo que já vinha em marcha. A obra que marcou essa transição foi depois seleccionada para o Habitar Por-tugal 2012-14 e recebeu uma menção honrosa no Prémio Diogo de Castilho, sinal de que o caminho fazia sentido. 
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AMADIA RESIDENCE, COM / WITH FILIPA JORGE E / AND MIGUEL MIRALDO, PH. © JORGE TEIXEIRA DIAS ARCHITECTS 
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AM RESIDENCE, PH. © JOSÉ CAMPOS 
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JUDD DAYBED, PH. © DR 
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TEE TABLE LAMP, PH. © DR 
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