Frescura Visual

23 / 04 / 2019
Para mais informações, visit o site do Corpo Atelier.
Fotografias: Ricardo Oliveira Alves e Alexander Bogorodskiy 
É na convergência entre a arquitectura e as artes que o Corpo Atelier dá forma a projectos contemporâneos, dotados de uma geometria sedutora e vibrante. Sediado no Algarve, o estúdio fundado por Filipe Paixão procura agora “reintrepertar a herança muito rica e própria” deste lugar, através da exploração das possibilidades artísticas e arquitectónicas.

O que o motivou a fundar o estúdio?
Na altura, apercebemo-nos que algumas das nossas ideias coincidiam no que diz respeito à prática da arquitectura e das suas possibilidades, nomeadamente na relação com práticas artísticas. Houve um conjunto de projectos iniciais que permitiram testar esses princípios e, desde então, temos procurado dar continuidade a essa prática.

Quais as principais considerações a ter em linha de conta na execução de projectos no Algarve?
Existe uma herança cultural bastante própria e rica no território do Algarve que, infelizmente, devido à massificação do turismo e especulação imobiliária tem sido continuamente desvirtuada. Enquanto prática de arquitectura procuramos sempre encontrar e reinterpretar essa herança, não de um ponto de vista saudosista mas antes de um ponto de vista contemporâneo, integrando-a na lógica própria de cada projecto.
 
Como define a identidade do estúdio?
Somos um atelier de arquitectura e arte focado na exploração e expansão dos elementos arquitectónicos. Daí advém, também, o próprio nome, Corpo.

Sobre o vosso recente projecto Architectural (dis)Order, quais as principais necessidades do cliente e de que forma foram superadas?
O projecto Architectural (dis)Order torna-se especial na medida em que o cliente e o arquitecto são a mesma pessoa. Trata-se do meu apartamento e, por esse motivo, houve um grau de liberdade maior, da mesma forma que houve mais tempo para criar e explorar ideias experimentais que, naquele momento, nos interessavam como tema. Sendo um apartamento-estúdio, onde não haveriam transformações significativas em termos de arquitectura, encarámos o exercício como um desenho a meio caminho entre a escultura e a criação de mobiliário, colocando três peças dentro de um espaço neutro, que condicionam e organizam a forma de habitar. Até ao momento, o arquitecto/cliente mantém-se satisfeito.
 
 
Quais as vossas principais influências?
São no geral bastante variadas e flutuantes. Interessa-nos muito um entendimento mais escultórico de compor o espaço e, nesse sentido, artistas como Richard Serra, Gordon Matta Clark ou Eduardo Chillida são, por vezes, quase directamente “citados” em projectos nossos. No campo da arquitectura, há algumas figuras que são basilares, com as quais crescemos enquanto arquitectos, como Álvaro Siza, Peter Markli, Julian Laampens, entre outros.

A arte também é um dos vossos principais pontos de interesse. Há uma relação inerente entre a arte e a arquitectura?
A arte interessa-nos enquanto fonte de ideias que procuramos transpor para o campo da arquitectura, tanto na arquitectura em si, como, e talvez principalmente, na própria concepção dessa arquitectura. Procuramos, ao integrar essa abordagem mais artística, encontrar formas diferentes de conceber edifícios, pois acreditamos que ao usarmos ferramentas diferentes chegaremos necessariamente a resultados diferentes, impossíveis de antever antes desse acto de experimentação. Assim, a nossa prática artística tem sido, essencialmente, exteriorizada através de desenhos e maquetes.