Claus Porto: uma história feita de tradição e criatividade

17 / 06 / 2019
Para mais informações, visite o site da Claus Porto.  
É impossível não nos rendermos ao surpreendente universo da Claus Porto depois de uma conversa com Anne-Margreet Honing. Seduzida pelas cores e padrões vibrantes que desde 1887 têm vindo a traduzir a autenticidade da marca, a directora criativa confessa ter-se, desde logo, apaixonado “pela beleza impressionante dos arquivos cheios de história e rótulos coloridos”. Um encontro que teve como tela de fundo a encantadora loja da Claus Porto na Rua das Flores, no Porto, e que procurou, ainda, assinalar o lançamento de uma nova edição comemorativa dos guests soaps Iris, originalmente criados em 1919. Cem anos depois, o propósito mantêm-se: seja para receber convidados, levar em viagem ou aromatizar gavetas e armários, em cada deliciosa embalagem vintage desvendamos quinze sabonetes icónicos, produzidos a partir de óleos 100% vegetais, fundidos com extrato de óleo de karité. Aproveitamos a ocasião para nos sentarmos à conversa com a directora criativa, que nos falou do seu vasto percurso criativo, hoje fortemente inspirado por influências portuguesas.

Como acabou por se juntar à Claus Porto?
Tudo começou há cerca de cinco anos quando me perguntaram se queria vir ao Porto conhecer a fábrica da marca. Estudei Belas-Artes em Paris, adoro pintar, e ao longo dos anos fui desenvolvendo a minha veia artística acabando por me focar na direcção artística de diferentes marcas. Fascina-me a possibilidade de analisar visualmente uma marca ou um projecto, descobrir como ela é e como podes ajudá-la a crescer e a descobrir a sua própria identidade. O facto de ter trabalhado com marcas de luxo anteriormente trouxe-me a este lugar e conhecer os arquivos da Claus, cheios de rótulos e etiquetas coloridas, foi uma experiência maravilhosa. Acho que nesta empresa a palavra-chave é mesmo amor. Respeitar a alma da marca é essencial: não podes mudá-la, ela é e sempre será uma marca verdadeiramente portuguesa.

 
 
Qual foi o maior desafio com que se deparou ao longo destes últimos quatro anos?
Ser coerente dentro e fora do país. Desenvolver um trabalho que não seja marketing puro, optando antes por ir criando algo como se de uma performance artística se tratasse. A nossa história está escrita no ADN da marca, no seu passado, por isso tudo é recriado a partir dai, tudo tem uma razão de ser. E, por isso, cada dia é diferente, uma verdadeira montanha russa. Há sempre um desafio a resolver a seguir ao outro e tento sempre ser o mais criativa possível mesmo quando os orçamentos são pequenos. O meu trabalho passa por muito brainstorming, muito desenho também, e procura de mood boards inspiracionais. Sem dúvida que trabalhar em equipa é uma enorme mais valia.

Onde procura inspiração?
Acredito que tenho uma “bolha” à minha volta que me permite desconectar do resto do mundo, um lugar em que consigo encontrar novas ideias e ver as coisas com uma certa distância. Inspira-me a arte, a poesia, a música, porque acredito verdadeiramente que é isso que vai salvar o mundo. As viagens que faço também, claro, mas viajar hoje em dia é o que transforma também a beleza da cidade em verdadeiros pontos turísticos.
 
 
Fale-nos sobre esta re-edição da colecção Irís...
Além de celebrar os cem anos do lançamento da caixa Irís, fazia todo o sentido resgatar um produto que é muito agradável e sempre foi bastante acarinhado pelo público. A ideia do “guest soap” é importante porque traduz a arte de receber, um pormenor elegante que faz toda a diferença quando temos convidados em casa e, desta forma, procuramos reinterpretar um produto vintage com um toque de modernidade.

O que é que lhe fascina mais nos produtos da Claus Porto?
Tudo: têm de ser sedutores ao olho, convincentes no toque e fortes o suficiente para as pessoas se apaixonarem e se fidelizarem.