Meet the Designer #1: Benedita Formosinho

29 / 06 / 2018
Mais informação em www.beneditaformosinho.com
Fotografia: Mariana Rocha
Modelo: Bárbara Godinho da Face Models
Maquilhagem: Catarina Carreira da Black Silver
Formada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, Benedita Formosinho abriu recentemente as portas do seu atelier em Setúbal, que reúne também marcas de jovens designers emergentes. Inspirada pela natureza, procura aliar a paixão pelas artes manuais a um estilo urbano, marcado pelo contraste entre diferentes formas e assimetrias. O resultado traduz-se em peças frescas e vibrantes, que apelam a uma maior consciência ambiental.

O que a levou a abrir recentemente o seu atelier?
A necessidade de ter um local onde possa trabalhar e ao, mesmo tempo, dá-lo a conhecer a um maior número de pessoas. Sendo o atelier um espaço aberto ao público, com a possibilidade de acompanhar o processo de criação e produção, é possível comprar peças diferentes e personalizadas. É também uma maneira de obter uma maior proximidade com o cliente e de conseguir dar uma melhor resposta a cada pedido.

Quais são as suas principais inspirações?
A minha principal inspiração é a natureza. Nas suas diversas formas, na coordenação perfeita do imperfeito. Normalmente tenho muitas peças com assimetrias e encaixes dentro de um estilo minimalista. Inspiram-me muito locais onde a natureza permanece no seu estado mais puro, locais onde exista tradição, pois acredito que são óptimos pontos de partida para qualquer trabalho.
 
 
Tem preferência por que tipo de materiais?
No vestuário, costumo optar por tecidos fluidos e confortáveis, direcionando a minha escolha maioritariamente para fibras naturais, o que nem sempre é fácil. Cada vez mais espero ir em busca de materiais diferentes, sustentáveis e pouco utilizados. Nos acessórios, adoro trabalhar com o burel, o junco e a palha de centeio, materiais orgânicos feitos por artesãos portugueses e que podem ser transportados para o contexto actual.

O que nos pode dizer sobre a sua última colecção?
Esta colecção explora um lado mais elegante, feminino e fresco mas com pormenores que fazem a diferença. Gosto de privilegiar o que é feito à mão pois acho que valoriza muito a peça através do cuidado e da atenção que é dada a cada detalhe. Esta colecção nasce a partir de um desenho feito à flor, evocando a dança das túlipas. A morfologia desta flor vai ao encontro da silhueta feminina, adaptando-se e tornando-se parte integrante de cada detalhe. Ela movimenta-se de forma vibrante e relaxante no meio da natureza e cresce com cor e alegria durante uma dança desenfreada. É uma colecção com uma linha de tons vibrantes como o azul eléctrico e o laranja que contrastam com outros mais neutros como o rosa, o azul claro e o branco. Todas as peças combinam entre si.

A presença de designers emergentes é uma das apostas do seu atelier. Que marcas é que podemos encontrar e porquê esta opção?
Sim, tento selecionar marcas que também estão a começar para poder dar a oportunidade de mostrarem o seu trabalho. São marcas com as quais me identifico sobretudo no conceito e no design. Neste momento tenho a marca SIZ e a Bahïa mas pretendo estabelecer novas parcerias, nomeadamente com novos criadores e marcas, como forma de dinamizar o espaço e de dar a conhecer mais opções portuguesas.
 
 
Quando não está a trabalhar, onde a podemos encontrar?
Neste momento o arranque do atelier ocupa grande parte dos meus dias, no entanto, existe sempre tempo para estar com os amigos, passear, ir a eventos e exposições. Gosto muito de ver o que se faz de novo e de diferente.

Há algum projecto futuro que gostaria de ver concretizado?
Sim, gostava muito de lançar uma linha de acessórios com um material desenvolvido por mim, totalmente sustentável, natural e biodegradável. Andamos a trabalhar nisso, espero em breve ter novidades.

A Benedita referiu também a importância da sustentabilidade. De que forma é que este factor está presente no seu trabalho?
Sim é um caminho que estou a percorrer: usar cada vez mais fibras naturais e sustentáveis. A grande preocupação é tentar diminuir a poluição e o desgaste que a indústria da moda causa no nosso planeta. Actualmente, é sobretudo nos acessórios que se reflecte esta ideia, e por isso os nossos materiais são naturais e orgânicos. O junco é apanhado no rio e depois trabalhado à mão por artesãos locais, e o burel, é proveniente da lã das ovelhas da Serra da Estrela. Para além da utilização deste tipo de materiais, ter uma produção em quantidades limitadas e em cumprimento com os valores éticos são também factores que fazem parte do conceito da marca