UROBORO

Mestrado Design de Produto - ESAD 2015
04 / 07 / 2016

O designer Português Marco Balsinha desenvolveu um vermicompostor doméstico intitulado Uroboro que processa resíduos dentro de casa. O projeto desenvolvido no âmbito de Mestrado em Design de Produto é sensível a questões relacionadas com a sustentabilidade ambiental e transforma Resíduos Urbanos Biodegradáveis em matéria útil para a floricultura.

O desenho foi inspirado na tipologia da árvore e permite a utilização de plantas, criando assim um sistema vivo dentro de casa. Marco utilizou o barro vermelho como mediador de humidade, filtro de odores e aproveita as suas qualidades percetíveis para acentuar o conceito telúrico do projeto.

Para o funcionamento do sistema são utilizadas minhocas como agente acelerador do processo de compostagem obtendo-se assim o precioso húmus e respetivo chá que pode alimentar a planta no topo do sistema. Uroboro é um sistema modular com 4 peças diferentes que permite a ampliação com a adição em altura de contentores de compostagem (peça B), sem condicionar a mobilidade das minhocas. A mesma peça pode ser separada com minhocas no interior e trocada, ampliando o número de utilizadores do Uroboro em contexto urbano de forma fácil e segura.

O vaso telescópico (peça A) é pousado diretamente por cima dos resíduos e por não ser vidrado na base possibilita a migração de humidade através do barro no sentido descendente, quando a planta é regada, e no sentido ascendente quando se verifica a liquidificação dos resíduos em decomposição.

A perda de volume dos resíduos faz deslocar o vaso no interior do contentor de compostagem (peça B). Na parede exterior do vaso foi marcada uma régua com diferentes fases de consumo de uma maçã para ajudar o utilizador a aperceber-se dos movimentos finos diários.

A humidade excessiva do interior, que desce pelo sistema, é absorvida através da superfície de barro não vidrada do contentor de chá de húmus (peça C). No interior, o líquido é retido porque a superfície inferior é vidrada. Para esvaziar o contentor basta remover a rolha de cortiça.

Os protótipos foram produzidos em Portugal, e testados em vários domicílios permitindo discutir os seus resultados que se revelaram surpreendentemente positivos. O projeto foi publicamente apresentado em Dezembro de 2015 na dissertação final de Mestrado em Design de Produto na ESAD Caldas da Rainha – IPLeiria.

www.marcobalsinha.com